A BRASPOLde Sabará de Ponta
Grossa e as Diversas formas de
divulgação da Cultura polonesa nos Campos Gerais
Fonte:
01.Caderno
Especial 16 anos do Diário da Manhã em parceria com a UEPG – EtniasMatéria de Maria Lucia Cordeiro Rogenski
RESGATANDO
AS TRADIÇÕES POLONESAS
Profª.
Maria Lucia C. Rogenski
Especialistaem
Educação Patrimonial - UEPG
Especialista
No
final do século XIX, imigrantes poloneses chegam ao Brasil. Famílias inteiras
deixavam sua Terra Natal, trazendo em sua bagagem a esperança de uma vida melhor,
com prosperidade e paz.
O
imigrante polonês estabeleceu-se em diversas regiões do Paraná, entre elas, na
cidade de Ponta Grossa. O primeiro grupo de 84 pessoas chegou entre 1876 e
1878, estabelecendo-se na Colônia Moema. Mais tarde, em 1892, outros 613
poloneses ocuparam as colônias de Itaiacoca, Taquari, Botuquara, Rio Verde,
entre outras. Adaptaram-se facilmente à região devido à semelhança do clima
frio a que estava acostumada.
Trouxeram
consigo, além de esperanças, a sua cultura. Os costumes do seu cotidiano
passaram a influenciar a vida da comunidade, com a qual conviviam.
A
fé religiosa dos primeiros imigrantes levou-os a construir o maior símbolo
polônico, a atual Igreja do Sagrado Coração de Jesus, conhecida até hoje como
“Igreja dos Polacos”. Em seu interior encontra-se um altar em homenagem a Nossa
Senhora de Czestochowa – Rainha da Polônia. Nesse local a comunidade polônica
realiza até os dias atuais, no mês de agosto, a celebração em homenagem,
à mãe dos poloneses.
Na
mesma praça, ao lado da Igreja, encontra-se outro referencial, a placa
comemorativa pelo Centenário da Imigração Polonesa no Paraná, datando de
dezembro de 1971.
Ainda
como referência polônica tem-se a Sociedade Polonesa Renascença, constando sua
fundação de 1896. Em meados de 1957, o Pe. Marjan Pawlowski forma um coral
misto para reforçar o grupo folclórico. Mais tarde, esse grupo de coralistas
foi desativado. No entanto, um novo coral é formado em agosto de 1999, sendo
que alguns participantes do coral inicial retomam suas atividade no atual Coral
Polonês da Braspol, juntamente com outros participantes. O clube contou com
diversas atividades para a comunidade polonesa, durante anos, mas atualmente,
acontecem apenas os ensaios do grupo folclórico polonês “Nowa Nadzieja”, que realiza
diversas apresentações durante o ano, contando com a participação de jovens e
crianças.
Em
busca do resgate das tradições adormecidas, jamais esquecidas, em 1999, foi
fundado o núcleo da BRASPOL de Ponta Grossa (Representação da Comunidade
Brasileiro Polonesa) sob a presidência de Alda Slonik, através do qual os
polônicos relembram suas tradições, seja pelo idioma, festividades religiosas,
música, pratos típicos ou confraternizações. No mesmo ano, com igual
objetivo, realizou-se a pesquisa intitulada “O cotidiano do imigrante polonês
na sociedade pontagrossense” de autoria da Prof.ª Maria Lucia C. Rogenski,
material que reuniu dados sobre a cultura polonesa.
Com
base nisso, o grupo polônico participa mensalmente de missa celebrada no idioma
polonês, na Capela do Asilo São Vicente de Paula, contando com a participação
do Coral Polonês da Braspol, regido pela Ir. Olívia Modkowski, a celebração é
seguida de confraternização entre os participantes. Também são realizadas
outras atividades pelo grupo como confraternização com outros grupos polônicos
do Paraná, participação em Congressos internacionais promovidos pela Braspol,
Feira das Nações e no Natal das Etnias.
Por
ocasião da páscoa, no sábado de Aleluia, é tradição a realização da Benção dos
Alimentos – a Swienconka- celebrada pelo PE Stanislaw Turbanski. Como
forma de agradecimento a Deus pelo alimento recebido, prepara-se uma cesta
decorada e recheada com alimentos que serão consumidos no dia seguinte: broa,
cuque, lingüiça, ovos coloridos (pisanki), frutas, sal e ovos de chocolate,
podendo conter outros itens de acordo com o costume de cada família.
Na
época natalina, a celebração é um encontro especial da comunidade com o Menino
Jesus que nasce o Coral prepara músicas natalinas, todas cantadas no idioma
polonês, o pão ázimo – Oplatek- é partilhado pelos polônicos significando o
perdão mútuo e confraternização entre os membros da família e comunidade.
O
grupo polônico ao participar do Natal das Etnias, em dezembro de 2002, na
Cervejaria Kaiser, com músicas Natalinas e a árvore de Natal enfeitada com
biscoitos confeitados, resgata essa tradição dos lares poloneses.
Entre
as várias contribuições polonesas, ainda pode-se citar o tradicional pastel de
requeijão cozido – o pierogi, a broa integral, torta de requeijão, charutinhos
de repolho, o nhoque de batatas, o sonho doce e a cerveja caseira.
Outra
importante contribuição que modificou a paisagem da cidade com a chegada dos
poloneses, foi o estilo na forma das construções. A casa de madeira, que inicialmente
surgia de troncos desbastados a machado e mais tarde com tábuas cortadas nas
serrarias. A arquitetura européia traz o telhado de duas águas, a incidência do
sótão, a varanda e o lambrequim - com a finalidade de pingadeiras,
apresentando-se com recortes diversos.
Percebe-se
dessa forma, a importância da preservação da cultura e das tradições que fazem
parte do cotidiano da cidade.
As
atividades aqui citadas, entre outras realizadas pela comunidade polônica estão
abertas a todos os polônicos e pessoas que desejarem participar.
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